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Desafio 30 postos Salvamar

Chefe do Setor de Treinamentos do Grupamento de Salvamento Aquático - SETRE, Dalton Vinhaes anuncia um novo projeto, que busca o estímulo ao companheirismo, inerente ao trabalho dos salva-vidas

De volta para dividir com vocês mais uma das vivências que tenho experimentado na missão de ser salva-vidas. Em 2020, antes da pandemia impedir as atividades coletivas, fui alçado ao cargo de chefe do Setor de Treinamentos do Grupamento de Salvamento Aquático, o SETRE, e, assim que assumi o cargo, foquei na criação de treinos e eventos que não só melhorassem as valências físicas dos salva-vidas, mas também em ações que promovessem a ampliação do sentimento de equipe, de companheirismo, inerente a nossa profissão.

Em algumas profissões, a unidade se faz mais importante que o todo, mas, aqui, nos resgates, a presença de um companheiro em que possamos confiar se faz mister, aqui o todo é infinitamente mais importante que a unidade. Sem equipe, sem o sentimento de confiança no parceiro, a missão a nós confiada pode se tornar um martírio, e, sendo assim, pautei na criação de ações motivacionais que não os impulsionassem à competitividade inerente ao ser humano e, sim, à comunhão, ao sentimento de pertencimento de grupamento.

Infelizmente, a pandemia e a necessidade de distanciamento, de não aglomeração, estancaram todas as pretensões de realizar as ações criadas com o intuito de unir a equipe, e, com os meses se acumulando nesse distanciamento, ficamos desmotivados, inseguros para treinos em grupo.

Treinos isolados, em duplas no máximo, foram sendo feitos, direcionados a manter a condição física para a realização dos resgates, mas o sentimento de união, de equipe, foi sendo esvaziado pelo distanciamento, até que, recentemente, fui instado por dois guerreiros do grupamento a colaborar com os mesmos na condição de chefe do setor de treinamentos, a acompanhá-los na realização de um desafio único, ainda não tentado por ninguém da forma que apresentaram.

Ficaram curiosos?
Então, senta, que lá vem história!

No final do ano passado, dois dos nossos guerreiros, o S.V Hercules junto ao S.V Nunes, me procuraram extremamente motivados por treinos pessoais constantes para apresentar uma ideia que, com certeza, virá a ser um evento anual, fechado, com a participação exclusiva de Agentes de Salvamento Aquático, independente de Estado, cidade, município ou de corporação, com foco nas atividades mais empregadas na ação de resgate: a corrida e a natação!

No dia 29/01/2021, após alguns adiamentos por conta de pequenas lesões, iniciamos o desafio, agora contando também com a participação do S.V De Menezes, e eu, junto ao S.V Manuel, seguimos no acompanhamento para hidratação nas transições das atividades.

O DESAFIO 30 POSTOS consiste em percorrer a totalidade das praias sob nossa jurisdição, que vão desde a Praia de Ipitanga até Jardim de Alah, com trechos feitos com corrida intercalados a trechos feitos nadando.

Variáveis como temperatura, influência da lua sobre a maré, inclinação de terreno na corrida foram estudados, e, juntos, saímos da base em direção ao ponto inicial do desafio, a Praia de Ipitanga, e, no decorrer do trajeto, nos traria a compreensão da magnitude e poder de união que aquela ação irá proporcionar futuramente.

Os guerreiros Hercules, Nunes e De Menezes (nomes de guerra, mas reais), mesmo extremamente competitivos, desde o início do desafio demostraram com seus comportamentos que aquela não seria uma prova, uma competição, e, sim, uma ação coletiva, onde o mais apto iria motivar e acompanhar o ritmo dos companheiros, compreendendo que na nossa missão de nada adianta um ter vantagem sob o outro, visto que nos resgates a parceria pode significar a vida da possível vítima de afogamento.

Os trechos foram divididos da seguinte forma: Corrida da Praia de Ipitanga até a Praia do Flamengo, natação do Flamengo ate o Hotel Catussaba, transição para corrida até a Rua K, onde nadaram até a praia de Piatã, nova transição para corrida até Patamares, onde fizeram a última perna de natação, até a Praia do
Corsário, com a última transição com corrida até a Praia do Jardim de Alah.

O feito físico, em si, já denota a bravura e a determinação dos guerreiros, suas condições físicas e mentais para concluir a ação sem interrupções, salvo para as hidratações, já merece destaque e norte a ser seguido no quesito treinamento específico, mas, para muito além do aspecto treinamento físico, está a motivação do trabalho em equipe.

Ao acompanhar o desenvolvimento do desafio de um ângulo onde podia vislumbrar cada movimento, percebi que o contexto competitivo, a busca da vitória pessoal, tinha sido colocada em segundo plano. A cada transição para hidratação, o que estava em melhor condição naquele momento motivava verbalmente os outros, sem desmerecimento ou frases egocêntricas de superioridade, objetivando a conclusão do desafio, como ocorreu no primeiro
passo dado, saíram juntos, chegariam juntos ao destino final.



Qual não foi o sentimento de felicidade para mim, poder observar essa união na chegada, quando juntos se deram as mãos e unidos como um único corpo, venceram o desafio a que se propuseram!

Esse sentimento irá servir de base e referência para a criação de um evento anual, visando não apenas o treinamento físico, mas, acima de tudo, o aperfeiçoamento dos laços de união e sentimento de pertencimento, ao entendimento que, mesmo em condição superior física, sozinhos não iremos alcançar as metas necessárias para salvaguardar as vidas dos cidadãos
em possíveis situações de risco, que de nada vale eu estar bem, e o meu parceiro não ter condições de acompanhar a ação, e que, ao invés de submeter o menos treinado a chacotas e piadas, devemos, através de exemplos e cordialidade, nos colocar à disposição do outro, para juntos vencermos os obstáculos inerentes do nosso trabalho.

Diante das limitações impostas com a pandemia, os medos gerados pela mesma, o distanciamento que nos afasta fisicamente e emocionalmente dos companheiros de jornada, ações como essas, que vislumbram desafios de unidade num futuro já não tão distantes, se fazem louváveis, e são merecedoras de reconhecimento e mérito de todos que trabalham em jornadas de resgate, pois pessoas assim, através de atitudes positivas e não de discursos inflamados com egos agigantados, nos mostram que, mesmo diante de tantas dificuldades, se andarmos juntos, treinarmos juntos, poderemos criar e realizar qualquer desafio que for proposto, para que no nosso dia a dia, através do treinamento e união de todos, as nossas ações de resgate ocorram de forma segura e eficaz.

PARABÉNS GUERREIROS, meu muito obrigado a vocês!
@daltonvinhaesdantas//face: daltonvinhesdantas// youtube: VINHAES

Fotos: Acervo e Foto por Jaymantri em Pexels.com

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