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Privado – relatos

Acabo de assistir ao instigante trailer do filme Quanto Tempo o Tempo Tem, de Adriana L. Dultra e Walter Carvalho. No longa-metragem de 2016, pensadores cravam questões. Como:

“O tempo ficou mais rápido?”
“O tempo está cada vez mais precioso, porque temos cada vez menos tempo para fazer a próxima revolução”
“Até chegar a internet – e o espaço desaparece”
“Isso muda consideravelmente nossa vida, até nosso acesso à felicidade”
“Assim que nasço, que chego à Terra, chego para morrer”
“O prazer é associado à existência e à finitude. E isso é o grande desafio”
“Nós criaremos um tipo de desigualdade social inédita na humanidade, os que morrem e os que não morrem”
“Justamente porque nós vivemos dentro deste tempo finito, nós temos, de alguma forma, de driblar este limite temporal”
“Sinfonias, literatura, a receita que vai de geração em geração da família… Todas essas criações podem existir fora do tempo”

Este filme, sobre o tempo, quero assistir. Terei tempo para isso?

2020, para alguns, será o ano em que o tempo parou. Para outros, será o contrário, ele foi acelerado, com fatos brotando, intempestivos, afrontosos…
Neste contexto incrível, histórico, no qual sagas pessoais não podem e não devem ser soterradas, foi inserido o Semestre Suplementar da Escola de Dança da Ufba. Para mim, uma chance “milionária” de poder olhar para meu umbigo, depois de meses cuidando da minha mãe, que escolheu outros rumos*.

Agarrei-me à esta oportunidade, resgatando desejos ligados à dança, que já me levaram a muitos caminhos, veredas, vielas, encruzilhadas… É necessário falar, aqui, que um confronto inicial foi relacionado com a tecnologia para as aulas online e com o meu despreparado equipamento. Além disso, a falta de naturalidade de me enxergar como aluna, no meio desta treva – e, especialmente como aluna de dança do ambiente acadêmico, tantos anos depois de me graduar jornalista. Isso sem citar a falta de naturalidade para me enxergar como professora, algo com o que teria de me (de)bater, no componente.

A princípio, pensei em ouvir, sem me manifestar. Câmera sem funcionar, cheguei a fazer yoga para ficar zen, enquanto escutava o que falavam. Mas o dedo coçava e fui, aos poucos, me manifestando no chat. Um tanto de vontade de falar chegou, depois de ouvir aquela voz de Buda tranquilo e consciente do professor Thiago, acolhendo uma variada gama de depoimentos, da turma de colegas. Ahhh professoralidade não tem necessariamente a ver com tempo ministrando aulas, mas, sim, com aquilo que você pode contribuir-receber-contribuir-receber… Histórias sem fim.

Que maravilha olhar para trás e ver que este tempo ao longo de meses, foi honrado. Que atravessamos juntos, com nossas diferenças! Que forma bonita de investir manhãs. Eu, que não tomo café, passei a fazer capuccino toda quarta, porque vi companheiros com xícaras e garrafinhas, e, assim, eu podia celebrar aqueles encontros!

Fomos indo, vindo… criar um vídeo sobre a professoralidade, em mim, foi um momento que não esquecerei. Na justificativa para seguir a linha idealizada, aconteceu a descoberta, na prática, de que, na natureza, nada se perde, tudo se transforma. E, assim, meu trabalho uniu dança, jornalismo, estudos na área de história e sabe-deuses-o-que-mais. Para mim, foi como jogar um holofote sobre minhas dúvidas, clareando…

Termino o componente reconhecendo que me expressei como podia, ainda cultivando minha timidez por falar, que vem de décadas, muitas… Celebro o retorno à escrita. Par mim, o Ava, com tantas deficiências que me dão nos nervos, foi uma plataforma para pensar! As leituras, além das aulas, provocaram em mim esta reação. Ler sempre foi custoso no início – e sempre compensador, no final de cada missão.

Termino jogando confetes em Thiago Assis. Professor da Escola de Dança da UFBA, anteriormente professor do Curso de Licenciatura em Dança da UESB e ainda mais anterior, professor do curso de Educação Profissional da FUNCEB. Mestre, Doutor. “Tenho uma enorme paixão pela Dança, sobretudo no contexto educacional. Sou alguém que acredita que a Dança ensina para além dos passos. Sou de Salvador, homem negro, gay, da periferia e um apaixonado pelas águas”. No meu entender, um exemplo Humano dedicado e amoroso, do que significa ser professor.

Também celebro a participação dos doutorandos Jacson e Agatha, que enriqueceram tanto as nossas aulas, com suas contribuições . Efetivamente, nossos conteúdos tiveram a pulsação viva, de quem atua, produz, realiza, pensa a dança! Fomos um!

Meu SS finaliza, assim, não com uma cereja no bolo. Mas com uma sobremesa daquelas suculentas, que fica na nossa memória palativa, mental e psicológica, deixando lembranças maravilhosas de (e para) uma linda jornada!

*Minha mãe quis voltar para a casa dela, enquanto minha irmã estava na cidade. Depois passou pela casa de um irmão e depois, após ameaça de Covid, para a casa de outro, agora. Fez exames corriqueiros e constatou que foi exposta ao Corona Vírus. Neste momento, tem alta carga de anticorpos. Sempre existirão motivos para sorrir, mesmo no caos…

Adriana L. DutraWalter Carvalho. Longa metragem 1h16m. 2016. 

Quanto tempo eu investia dirigindo para a Escola de Dança, no segundo semestre de 2019?

Estive calculando quanto tempo eu investia em calcular

Quanto Tempo o Tempo Tem.  Direção de Adriana L. DutraWalter Carvalho. Longa metragem 1h16m. 2016. 

Sobremesa para o final

dificuldades com leitura

redescoberta da escrita

escuta

thiago, Jacson, Agatha parabéns, doutorandos

XXX

Nunca mais seremos os mesmos*

“Diga adeus aos deuses
Olhe pras estrelas
Não pense nos seres
Que não podem vê-las

Frases sem firmeza
Tempos de tristeza
Discursar no escuro
Por cima do muro

Nunca
Sempre
Nunca mais

Vida
Morte
Vai em paz”

Lá estávamos nós de novo. Membros da equipe realizadora do flash seminário baseado em NUHR, Andréia. Escrever história da Dança: das evidências às descontinuidades históricas. In.: Anais do IV Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Dança-ANDA. Fizemos a apresentação do seminário no dia 20 de outubro. Nos reencontramos para mais uma atividade no dia 1º de dezembro.

Foram tratadas questões relacionadas ao percurso coletivo, até aqui. Como estratégia didática para favorecer a reunião com alunos, foram criados ambientes para cada grupo. Ali, nossa esfera, para abordar pertinências da nossa compreensão da jornada.

Eli Za enfatizou que a história agora também se esta escrevendo no formato virtual, com vídeos, fotos. As redes sociais, por exemplo, estão com uma nova forma de escrever história. Ela também focou na questão da descolonização dos corpos, como um jeito de re-escrever a história. De conhecer outras culturas, outros pontos de vista, de ver uma história mais completa.

Claudia citou que participou de algumas mesas do Fórum, que considerou muito interessantes. Na abertura, aconteceu a presença de representantes das instituições da Ufba que se aglutinam para a realização do evento. Carmen Paternostro, diretora da Escola de Dança da Ufba, destacou o esforço para a realização do evento, em plena pandemia.

Simone falou sobre história e historiografia, citando, do Fórum Negro, a apresentação da Vovó Cici. Uma grio contadora de histórias e encantadora senhora, que fala da nossa ancestralidade com tanta propriedade e que arrebatou a todos em emoção. No 35º Painel Performático, ela diz que foi muito interessante os videos de dança com a temática da memória.

Durante a discussão em equipe se concluiu que o Painel Performático apresentou uma diversidade de ideias, espantosamente criativas. Numa das edições alguém perguntou, no chat, de onde vinham tantas ideias, quando imaginamos estar tão “sem criatividade”. A inclusão das salas com realizadores, realizadores do evento e professores, administradores deu oportunidade de um recorte mais pessoal, dando um clima mais intimista e possibilitando narrativas, exibidas ao público das lives.

Também foi consenso a noção de que, participar do componente, investigando questões, como as relacionadas à memória, registros e videodança, fez perceber a importância de registrar trabalhos e trajetórias de estudos e realizações. Os vídeos postados em canais do YouTube, como por exemplo o da Escola de Dança da Ufba, possibilitam a amplitude de divulgação de obras.

A programação do Fórum Negro e do Desmonte, além da Painel, foi motivação de publicação no site agoramexe.com, editado pela aluna Claudia Pedreira, que pode acompanhar e contribuir com a divulgação da programação. As informações constam na coluna “Giro na Ufba”.

*(música da banda 365 – Seu estilo foi intitulado por alguns críticos como rock de combate)

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