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De olho

A plenitude de um bailarino está relacionada com a juventude. Mas uma idosa do interior cearense, do começo do século passado, mostrou que não existe limite para a arte. O filme 'Pacarrete', com Marcélia Cartaxo dirigida por Allan Deberton, estreia em todo o Brasil

Um bailarino clássico tem alta performance até 26-27 anos. Um dançarino moderno atua, em média, até 30 anos*. Mas a aposentada Maria Araújo Lima não aceita rótulos e decide provar para o povo da sua cidade, no interior cearense, que não existe limites, para quem quer viver a arte. Esta história, inspirada em uma senhorinha de voz estridente e personalidade exuberante, tida como louca por muitos, é narrada no filme Pacarrete, estreia da semana nas salas de cinema do Brasil.

O filme é protagonizado pela iluminada Marcélia Cartaxo (A hora da estrela), que fez aulas de voz, canto e francês, além de ballet, sendo orientada pelo coreógrafo Fauller e pela bailarina Wilemara Barros. Confira um trecho da performance da atriz, abaixo:

Uma grande expectativa cercava a chegada do filme nas telonas do país. Afinal, a produção conquistou o 47º Festival de Gramado, com oito prêmios, em 2019, e deveria ter sido lançada no circuito em abril, algo tornado impossível com a chegada da pandemia de Corona Vírus. Agora, com protocolos de segurança sendo seguidos em salas de cinema, o público pode conferir a obra dirigida por Allan Deberton.

O ator baiano João Miguel (foto na galeria abaixo), que ficou com o Kikito de coadjuvante, interpreta o dono de bar Miguel e tem muitas cenas com a bailarina 60+, que sonha em participar das comemorações do aniversário de 200 anos da sua cidade. Ele disse ao Pioneiro achar muito importante ser coadjuvante de um filme protagonizado por mulheres paraibanas, cearenses, que tenham afeto na frente, que trabalhem com amorosidade. Ele também se refere à Zezita Matos e à Sofia Lira que aparecem em muitas das cenas hilárias e comoventes da trama.

As gravações aconteceram em Russas, a 168 km da capital Fortaleza, onde nasceu e cresceu o diretor Deberton, sabendo da fama de uma louca. Ao G1, o cineasta narrou que, já em sua formação profissional, descobriu que o nome artistico dela, Pacarrete, na verdade significa margarida, em francês e ela era uma professora de ballet, que, depois de aposentar, retorna à cidadezinha de origem. “E aí se desconstruiu toda a identidade que eu fazia dela”. Então, o diretor partiu pesquisar a trajetória da artista, resgatando memórias de conterrâneos contemporâneos.

Dentre outros eventos, Pacarrete participou do Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 2019 (eleito Melhor Longa Mercosul, na escolha do Júri Oficial e Popular), Los Angeles Brazilian Film Festival – LABRIFF  (Ganhador de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Atriz, Melhor Montagem), 36º Festival Internacional de Cinema de Bogotá (Melhor Filme), 22th Shanghai International Film Festival, 43º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e 29º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema

O filme já acumula 39 prêmios. Em Gramado, ficou com os prêmios de melhor filme, direção para o estreante em longa-metragem Allan Deberton, e de atriz para Marcélia Cartaxo. Em cartaz em Salvador, o filme pode ser visto no Espaço Itaú de Cinema e no UCI Oriente Shopping da Bahia.

Uma história real
A prefeitura de Russas registra, sobre a personagem:

*Dados: http://rmmg.org/artigo/detalhes/1037

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