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Embarque nos saveiros

O livro 'Os últimos saveiros da Bahia?' está sendo finalizado pelo fotógrafo Roberto Faria. A publicação reúne registros de regatas e passeios pela Baía de Todos-os-Santos, onde estão 15 saveiros remanescentes. Bel Borba é curador do projeto de lançamento, em 2021

No passado, eram muitos. “De acordo com a Capitania dos Portos da Bahia, estima-se que existiam entre 1.200 e 1.500 saveiros, em águas do estado”, informa o fotógrafo Roberto Faria. Ao longo dos últimos anos, o artista vem registrando estas embarcações com mastro e vela, que se tornaram símbolo de baianidade.

“Eles começaram a se extinguir, até que só sobraram 15 embarcações”, diz Roberto, que finaliza o livro Os últimos saveiros da Bahia? como forma de documentar as peças remanescentes e, também, se posicionar a favor da preservação do acervo. O lançamento da obra está sendo preparado para 2021, em período pós isolamento da pandemia de Corona Vírus.

A publicação com capa dura contará com imagens selecionadas para 200 páginas com editoração da P55. “O livro já esta pronto, o projeto gráfico, concluído. Falta, apenas, uma parte de patrocínio, para que o lançamento seja grandioso, de forma a chamar a atenção do público para a manutenção dos saveiros”, detalha o professor e diretor da Escola Baiana de Fotografia.

O quarto livro do fotógrafo terá tiragem de 3.000 exemplares. O projeto tem curadoria do artista visual Bel Borba, que, em 2008, fez uma exposição com objetos criados a partir de pedaços esquecidos de saveiros e que faz parte da Associação Viva Saveiros. Outras personalidades, simpatizantes da causa, como o cantor, compositor e saveirista Gerônimo e o cantor e compositor Luiz Caldas, são convidados da programação de lançamento. A ideia é reunir os 15 saveiros sobreviventes, na data da publicação, projetando imagens do livro.

Velha Bahia – Roberto Faria começou a se interessar pelos saveiros ainda criança. “Eles já mexiam com meu imaginário na infância, quando lia livros de Jorge Amado, ouvia música de Dorival Caymmi”, narra, acrescentando que sua mãe falava muito sobre as embarcações. “Ela viveu a Velha Bahia, nas décadas de 40, 50, quando era muito frequente a circulação de saveiros pela Baía de Todos-os-Santos, para transporte e transporte de cargas”.

As embarcações traziam produtos do Recôncavo para Salvador e levavam manufaturados. Com a construção da Ponte do Funil; efetivação da BR324; e um movimento de estivadores, que requeriam tabela por desembarque de carga, onerando custos, os saveiros foram deixando de ser tão utilizados. Outro fator foi a restrição de uso de madeira, pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Os saveiros são embarcações com fundo chato e duas proas em bico. Cada projeto é único, com qualidade artesanais em seu molde, com finalização com pinturas coloridas. “Saveiros são milenares”, enaltece Roberto, explicando as origens na Índia, passando por Portugal, até chegar ao Brasil. Nas embarcações originais, até os pregos eram feitos de madeira.

“Saveiro é patrimônio material da nossa cultura. Para mim, representa a Bahia, junto com a baiana, junto com as igrejas, junto com o Pelourinho. É uma das representações imagéticas da Bahia. A velha Bahia, também dos artistas Carybé, de Mário Cravo, de Pierre Verger”, diz o fotógrafo, cujo foco baixou pela primeira vez em saveiros participando de regata de veleiros, com a família do ex-sogro.

Uma das primeiras regatas em que ele viu os saveiros foi a Aratu-Maragojipe, uma das maiores do Brasil, que acontece em agosto, sai da Região de Aratu, atravessa a Baía de Todos-os-Santos, entra na Barra de Paraguaçu e vai até Maragojipe. “Participei de várias, uma foi maravilhosa. Fui fotografando o barco do velejador Torben Grael (medalhista olímpico, seis vezes campeão mundia).

Sempre que participava das competições, Roberto Faria via os saveiros, como eram, onde estavam. “Sou apaixonado por eles. Os saveiros que não foram extintos podiam integrar o turismo náutico. Já pensou, bordear a orla de Salvador, num deles? Só quem andou em saveiro sabe a emoção que é. É um barco ecologicamente correto, não polui, usa só a vela como motor, é extremamente seguro. Não podemos deixar isso acabar”, conclui.

Interessados em colaborar com o livro podem procurar Roberto Faria (71 99966-0470 ou @robertofaria001)

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