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Musicalidade nos treinos indoor

A batida da música influencia a aula Indoor. Tem que ser mais que uma aula, tem que promover um transe, que leve todos à superação de seus limites! Chamo os alunos a se envolverem com a cadência da música!


No exercício constante da evolução profissional e pessoal, no que tange a treinos indoor de qualquer modalidade de coletivas, dentre outros fatores determinantes, está a escolha das músicas que irão conduzir de forma instintiva os alunos a alcançarem o objetivo proposto no treino.

Vou usar como mote desta argumentação as aulas de bike indoor, as quais ministro de forma seguida, nos últimos 15 anos, e que toda vez que acho que já aprendi tudo sobre essa matéria, sempre sou surpreendido por novas conclusões de pesquisas cientificas, que mostram que ainda há muito o que aprender.
Para um melhor entendimento do que quero expressar, digo: senta que lá vem história.

O ano era 2006 e eu fazia parte do corpo de colaboradores de uma das mais comentadas academias de Salvador. Nela estavam atuando, na época, os melhores treinadores de bike indoor da cidade, inclusive aquele que trouxe a modalidade para as academias de Salvador.

Não tínhamos acesso a cursos de especialização dessa modalidade na cidade, e, para evoluir, existia a necessidade do deslocamento para estados do Centro Sul do país, o que era custoso financeiramente. Tínhamos que estar, para viver, envolvidos em múltiplas atividades em busca de uma melhor remuneração, o que dificultava ainda mais arrumar tempo para essas viagens.



O que nos restava era conseguir ser apadrinhado por um dos “feras” da época, e, na prática das aulas, tentar absorver as técnicas, questionando os mesmos feras, após o treino, sobre nossas dúvidas. Naquele tempo, conhecimento era caro e guardado a sete chaves, e nem sempre, quem o detinha, divulgava gratuitamente aos seus possíveis futuros concorrentes.

Nessas práticas, comecei a observar não só o que os mestres faziam em aula, voltando meu foco para as conclusões ou possíveis queixas dos alunos que praticavam a atividade, e que, ao final de cada treino, se juntavam em elogios ou críticas.

Através desses relatos fui compreendendo o que deveria fazer, e principalmente, o que não fazer, para conseguir fidelizar alunos quando, futuramente, viesse a ministrar os treinos também, e, dentre a maior das queixas, estava o questionamento de que o professor pedia uma rotação X do giro dos pedais, mas a música, os conduzia a outra rotação.



Além da cadência musical estava a queixa no que tangia às letras, muitas vezes com conteúdos que não inspiravam o treino, e, sim, o consumo de cerveja. Gosto não se discute, mas a ciência, sim. Se vamos ministrar treinos científicos, devemos atrelar ludicidade aos mesmos, mas sem desvirtuar o foco, pois não estamos ali para uma festa, e sim, para treinamento.


Como relatei anteriormente, não tínhamos muito material didático para evoluir, mas, por instinto, fui entendendo que as músicas deviam ter momentos de ação (aceleração de BPM) e, de volta à calma. Mas com o meu desconhecimento sobre o que era uma frase musical, seus tempos e cadências, não tinha referência para as escolhas certas.

Desistir nunca foi uma opção, e com o tempo consegui um horário ao meio dia, para começar minha turma indoor. E assim o fiz. Dias difíceis, nos quais convencer os alunos treinados pelos grandes e conhecidos professores a participarem do treino ministrado por um iniciante, era algo irreal.

Sempre buscava a aprovação dos antigos e tentava que eles me dessem dicas do que fazer, como proceder, mas isso também era difícil. Até que um dia, já com uma aula musicalmente decorada em seus tempos, fui surpreendido por um dos mestres, pelo qual sentia imenso respeito, entrando para girar no meu treino, e, ao final, ele em um elogio me disse: “Tu acertou a mão na escolha das músicas, e conduziu o treino com perfeição, atrelando cada ação à cadência do momento da música”. E, assim, entendi que estava no caminho certo.

Ele me falou sobre frase musical, bpm, e, o mais importante, que a música escolhida mexesse com a alma do cliente, não só com o corpo; a aula teria que ser um momento mágico, de alívio de stress. E, mesmo sem ter ideia do que ele estava falando, fui imediatamente em busca de um amigo que dava aula na faculdade de música, o qual abriu minha mente completamente para esse assunto.

Minha aula, apesar de ser a de um iniciante e em horário pouco frequentado – era meio dia -, começou a lotar, e começaram os relatos dos alunos sobre a qualidade das músicas e como elas os motivavam, como era fácil seguir nas rotações que eu pré-estabelecia, visto que as cadências musicais combinavam com perfeição aos RPMs e os levavam ao paraíso pessoal, no decorrer da aula.

Hoje a ciência e os cursos estão à disposição de todos, de forma imediata e com custos mais aceitáveis, as pesquisas nos mostram o norte a ser seguido, a tecnologia é agora o monstro a ser dominado com a gameficação dos treinos indoor, mas a musicalidade ainda segue, em minha opinião, sendo o centro do controle dos treinos.

A ciência nos confirma, hoje, a influência das batidas na motivação humana de forma tão inerente, que a utilização de aparelhos sonoros
individuais em competições é proibida, tamanha a força da música nas atividades esportivas.

Sendo assim, convido você, professor de aulas coletivas, a buscar entender o que é uma frase musical, o que é um compasso, o que é tempo musical, bpm, e construir seus treinos atrelando os BPMs aos RPMs, lembrando que primeiro vem o tipo de treino, o seu objetivo, seus tempos de estímulo juntos as fases de recuperação, para depois encaixar as músicas, que devem ser decoradas em seus tempos, para que você possa reger seus treinos como um maestro, sabendo que por instinto seus alunos seguirão os bpm das músicas, obedecendo, mesmo sem perceber, a sua proposta para o dia.

Por fim, quero aqui deixar claro, que essas músicas devem ser sempre renovadas, buscando o que há de mais atual no mercado, suas tendências, mas sem esquecer de observar a idade média de seus alunos, buscando músicas que façam parte das histórias deles, das suas épocas passadas, e o mais importante: Alunos de aulas coletivas são, em sua maioria, sensitivos, e seguem não só seus comandos vocais, mas sua vibração energética. Vocês têm que fazer escolhas que te arrepiem, que te levem a um nível de transe superior, e essa energia será seguida pelos praticantes fidelizando os mesmos e mantendo seu emprego.

Então, vai, mergulha nesse mundo musical, descubra sua verdade, a batida e letra que te enlouquece, decore, treine, antes de aplicar o treino, estude sobre musicalidade, e esteja pronto para atingir o topo, junto à sua turma. Não há nada mais gratificante que estar presente e ser o comandante daquela explosão, onde lagrimas de emoção se misturam a sorrisos de superação, e, na lei do retorno, você será agraciado pelo poder energético gerado num treino assim!

Não seja um reprodutor de conteúdo, aprenda, mas não copie ninguém. Sua essência deve ser explorada e seu futuro só depende de você ser único, e real!
Insta: @daltonvinhaesdantas; no youtube segue o canal: VINHAES EDF

Fotos: Reprodução

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