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Fala, mestre!

Agosto é o mês da cultura popular. Festejamos nossas raízes, lendas, danças, músicas, narrativas, festas, artes, culinária, vestuário, hábitos e jogos – o conhecimento transmitido de pai para filho, de geração a geração. O comecinho do mês teve celebração do Dia do Capoeirista, 3 de agosto, voltado aos praticantes desta dança/luta, que conquistou o mundo. Neste sábado, 22, a capoeira também é englobada pela celebração do Dia do Folclore. Neste mês especial, a coluna Fala, Mestre! convidou Valtinho Capoeira para falar como professor. “As minhas ações sempre foram voltadas para os grandes projetos sociais, que, na minha visão, é o que muda o mundo”, considera ele. Leia a entrevista! (Claudia Pedreira)

Valtinho Capoeira e praticantes

Claudia Pedreira – Como se interessou pela capoeira?

Mestre Valtinho – Sempre gostei da capoeira, e, em um belo dia de praia, em uma roda, um amigo estava participando. Ao terminar a roda, chamei ele e perguntei: “Onde vc faz aula?” E ele me respondeu: “Eu sou o mestre”. E me deu o endereço. A partir desse dia eu já me considerava um capoeirista.

CP – Lembra como definiu que seria um profissional da área?

MV – Na verdade a capoeira me escolheu, e sou grato até hoje por isso. E o próprio tempo foi me moldando como profissional, foi muita luta, mas valeu.

CP – Na sua visão, o que é necessário para ensinar capoeira?

MV – Acho que tem que buscar os fundamentos – elementos de prioridade, no meu ponto de vista, sem eles nada funciona. Temos que ter embasamento e um bom direcionamento, e isso se chama “fundamento”.

CP – O que o aluno precisa para aprender?

MV – O aluno tem que ter interesse, boa vontade, e, principalmente, ouvir o seu mestre, ele vai te direcionar muito bem.

CP – Destaque ações realizadas como mestre que te trazem emoção e/ou a certeza de ter escolhido a profissão certa

MV – As minhas ações sempre foram voltadas para os grandes projetos sociais, que, na minha visão, é o que muda o mundo. Levar o conhecimento nunca é demais, e eu faço isso com extremo prazer.

CP – O que aprendeu com a fase de isolamento social e como reflete esta evolução em seus projetos relacionados à capoeira? Como os alunos podem fazer aulas com você? (contatos)

MV – Bem, o aprendizado na vida nunca para, não é mesmo? Mas essa pandemia veio para nos ensinar que estar juntos é melhor, trabalhar em equipe é fantástico, e todo projeto cresce com a ajuda de todos. Direcionei, para meus alunos, vários tipos de aulas – toques, alongamentos, flexibilidade, executar as músicas, sequência do Mestre Bimba, tudo que poderia ser feito nos seus próprios lares.

CP – Comente sobre a concepção do projeto social que realiza. Quando e como foi criado, trajetória e fase atual, durante a pandemia, com adaptações. Pelo olhar de professor, destaque a importância da ação.

MV – O meu projeto foi criado em 1980, com a proposta de ressocialização, tirar as crianças das ruas para aprender a nossa cultura. Levar tranquilidade para os pais, pois eles sabem o valor e a grandiosidade do nosso projeto. Faço um grande projeto com a melhor idade, porque vi que eles estavam ficando de lado, e isso me incomodava bastante, sem contar o meu respeito por todos dessa faixa etária. Nessa pandemia, faço aulas de forma online, e procuro introduzir o lúdico, para que os alunos entendam a importância das brincadeiras que nos são peculiares.

CP – Quais são os seus planos próximos?

MV – Os próximos planos seria levar esse projeto para outros países, e mostrar que a capoeira é simplesmente qualidade de vida.

Valter Scott Veloso Filho / Mestre Valtinho Natural de Salvador/Ba. Iniciou na capoeira em 1985, sob a tutela do Mestre Lazinho, com quem desenvolveu alguns projetos, direcionados para crianças e adolescentes da comunidade da Boca do Rio e Imbuí. Ainda como aluno, no ano de 1990, iniciou um projeto na associação de moradores do Marback, que existe até hoje. Participou de diversos cursos e palestras em faculdades, com o objetivo de aprimorar conhecimentos, e com isso desenvolver trabalhos voltados à cultura popular de forma geral. Posteriormente, em 2015, foi graduado, como mestre, pelo Mestre Bozó Preto. Atualmente desenvolvo um projeto para a melhor idade, buscando a inclusão social e melhor qualidade de vida. Este trabalho se tornou de grande relevância, proporcionando o recebimento de dois grandes prêmios; Word Top Premium e o Berimbau de ouro.CurtirComentar. @mestrevaltinho 71 996883350

2 comentários em “Fala, mestre!

  1. Salve Mestre Valtinho uma referência para a capoeira, trabalhando sempre com muita dedicação, transferência de conhecimento nossa cultura viva.

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  2. IAMINAN Salusto Tonette Dias

    O Mestre Valtinho é um ser humano sensacional, um Capoeirista de excelência e um Amigo extraordinário.
    Quem o conhece sabe o quanto ele é especial.
    Grande abraço de seus alunos :

    URSO BRANCO E BORBOLETA

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