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Trilhas do aprendizado

Em um grupo de trilha é assim que acontece. Você pode entrar só, sem conhecer ninguém, mas são tantas as mãos que lhe puxam, tantas as mãos que você segura, tantas as mesas compartilhadas, são tantas cumplicidades nos silêncios de uma paisagem impactante, são tantos momentos se solidariedade, são tantas histórias contadas de outras trilhas vividas, que você se pergunta: “Isso não vai parar nunca?” E você mesmo se responde: “Não. Graças a Deus”.

Quando se é trilheir@, sempre se sai de uma trilha com outras várias indicações de outras várias trilhas maravilhosas pelo mundo. Viajamos na viagem do outro e desejamos ter nossa experiência naquele lugar.

A minha última trilha antes da pandemia foi o Pati, na espetacular Chapada Diamantina, aqui na Bahia. Não tinha feito o Pati antes, então juntei o útil ao agradável, como disse Rejane Sena, minha companheira de trilha, ao me fazer o convite: “Vamos ali amaciar a bota para nossa grande aventura”.

Essa grande aventura a que Rejane se referia é a The First Base Camp of Everest. Uma viagem longa, dispendiosa e de um planejamento trabalhoso, que levaria, desde a saída de casa até a volta ao lar doce lar, 30 dias. Desses 30 dias, 18 seriam na trilha de fato, cinco dias na Índia e o restante entre os aeroportos de Dubai, Índia, Itália, Nepal e Brasil. Passando pelo aeroporto mais difícil de aterrissagem, o Lukla no Nepal. Então, para chegar ao que é realmente o objetivo da viagem, que é a trilha, já é uma grande aventura muito desgastante.

Bom… tudo pago, tudo planejado, mochila pronta, veio a pandemia mostrar que, de controle nas mãos, só o da televisão. Aventura suspensa para uma outra oportunidade. Mas o que faz uma legião de seres humanos passarem por tantos perrengues, por escolha própria? O que ganha ou busca ao escolher entrar numa viagem assim?

Não sou o tipo de pessoa que arrisca a vida ou vive na pulsão de morte, meu risco é calculado e seguro, adoro a vida, adoro viver.

Mas em toda oportunidade que eu tenho nessas trilhas, eu pergunto a um trilheiro, Por que você faz isso? Por que você embarca em uma viagem em que o conforto é zero, que o meio de transporte são suas pernas? O que te move a subir e descer por horas, montanhas?

As respostas foram diversas, como estar inserido na natureza; desafiar os limites; a paz da caminhada; o som das matas e rios; se afastar da loucura da cidade e do dia a dia. Mas tem uma resposta que é a campeã e que resume todas as outras.

Estávamos sentados no topo do Itobira, um dos gigantes do Nordeste, e um desses meus questionados não me disse uma palavra sequer após a minha pergunta, mas me deu a melhor resposta de todas elas. Ele apontou em duas direções, a primeira foi para a toda paisagem a nossa frente. A segunda foi para o céu.

Ao seguir com o meu olhar para as direções que me foram apontadas, eu sei o que senti, e ele estava coberto de razão. Mas esse foi o meu sentimento, são as minhas respostas, e elas são únicas e pertencem à minha subjetividade. Citando um grande amigo e colega psicólogo, minha experiência e aprendizados só servem e têm importância para mim.

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