Cultura Dança

De mãos dadas

O Teatro Miguel Santana foi fechado no mês de março, com o avanço da pandemia do Corona Vírus pelo o país e pelo estado da Bahia, e os mais de 40 integrantes do Balé Folclórico da Bahia, que tem sede no espaço, ficaram sem local para treinos e apresentações que encantavam visitantes do Centro Histórico. A medida de proteção à vida, coerente com a situação atual, provocou uma crise na companhia, a única de balé folclórico do Brasil, considerada uma dos mais importantes grupos de dança, do mundo.

“A instituição e seus integrantes vêm passando por uma situação financeira extremamente delicada, inclusive correndo o risco de encerrar, definitivamente, suas atividades, ainda em 2020”, informa o texto de uma campanha de arrecadação de valores para manutenção do grupo. A Vakinha tem como meta reunir R$200 mil e já acumula mais de R$12 mil, a partir da contribuição de 41 apoiadores.

Sede – A Fundação Balé Folclórico da Bahia, desde 2014, tem o Teatro Miguel Santana como sede, em sistema de comodato, numa ação do Governo do Estado. No local, a Fundação BFB faz, fora deste período de pandemia, apresentações diárias de shows, para plateias de até 100 pessoas. No espaço, a fundação desenvolve projetos sociais, como o Balé Junior, que contempla mais de 300 crianças em situação de risco social e realiza oficinas de dança gratuitas abertas à comunidade.

o Miguel Santana segue fechado, enquanto a cidade de Salvador e o estado da Bahia ainda ensaiam fases de retorno da economia. O plano de abertura prevê parâmetros relacionados ao número de leitos ocupados na rede hospitalar e o setor de teatros, cinemas e casas de espetáculos será dos últimos na retomada. É diante desta situação que figura o pedido de ajuda do Balé Folclórico da Bahia, companhia nascida em 1988.

Vídeo resume a longa trajetória do Balé Folclórico da Bahia

Trajetória – Walson (Vavá) Botelho e Ninho Reis fundaram o BFB. O Balé fez sua estreia no Festival de Dança de Joinville, onde recebeu aplausos de 20 mil pessoas, mostrando o espetáculo Bahia de Todas as Cores. Em seguida, a companhia recebeu muitos convites para apresentações pelo país.

O grupo encorpou o currículo com turnês internacionais, além de prêmios e conquista de reconhecimento junto ao público e à crítica especializada. Uma amostra deste prestígio além fronteiras é o trabalho desenvolvido pela coreógrafa Pina Bausch, a partir de referências no grupo. As coreografias estão entre as últimas criações da alemã.

Pina Bausch e BFB

Vida virtual – Hoje, a fase é de isolamento social e cuidados. Mas a companhia continua desenvolvendo projetos, no plano virtual. O grupo estreou o espetáculo O balé que você não vê, com coreografias inéditas preparadas para comemorar os 30 anos do grupo. A live, no Youtube, incluiu cenas registradas no festival A Cena Tá Preta, realizado pelo Bando de Teatro Olodum, no Teatro Vila Velha.

No Instagram (@bfdabahia), as lives estão movimentadas, desde meados de maio, com convidados como artistas de várias áreas da cultura, coreógrafos e ex-integrantes do grupo. Nesta quinta-feira, a partir das 20h, o convidado é o bailarino Jean Salomão, especialista e bacharel em comércio internacional.

Já participaram: Beth Goulart, Nicete Bruno, Ingrid Silva, Ângela Vieira, Marisa Orth, Glória Pires, Ana Botafogo, Nildinha Fonseca, Tainara Cerqueira, Rafael Leal, Edilene Alves, Claudia Raia, Jorge Silva, Gleide Cambria, Thiago Soares, Hugo Cortez, Edeise Gomes, Angela Vieira, Slim Mello, Isabel Fillardis, Guilherme Duarte, Elísio Lopes Jr, Vânia Oliveira, Margareth Menezes e a atriz Alessandra Maestrini.

Aprimoramento
O aprimoramento técnico-interpretativo dos membros da companhia é baseado na investigação de manifestações populares, no dia a dia do seu povo, manifestando-as por meio da dança, da música e de outros aspectos que compõem o espetáculo. Em 2003 o BFB passou a integrar os projetos sociais da Fundação Balé Folclórico da Bahia, instituição privada sem fins lucrativos, criada naquele ano para oferecer e manter uma escola de dança folclórica para estudantes e professores de dança, que recebem as mais variadas orientações em técnica de dança afro-brasileira, ballet clássico, dança moderna, capoeira, música e teatro. Sob a direção artística de José Carlos Santos (Zebrinha) desde 1993, o trabalho realizado pela Fundação BFB recebeu, em 1996, o Prêmio Mambembão, do Ministério da Cultura, para a sua preparação técnica. Antes disso, em 1992, iniciou as turnês internacionais, pelo Festival da Alexander Platz, em Berlim, para um público superior a 50 mil pessoas, sendo ovacionado. Em 1994 o grupo foi convidado para a Bienal de Dança de Lyon, na França, edição dedicada ao tema MAMA ÁFRICA. A companhia voltou à Bienal em 1996 e, em seguida, fez turnês às Américas do Norte, do Sul e Central, Europa, além da Oceania e África.

Texto: Claudia Pedreira. Informações sobre o grupo/site do BFB
Fotos: Corte de Oxalá, foto de Philip Martin, Reprodução

#BAHIA • #BALÉFOLCLÓRICODABAHIA • #BFB • #CORONA • #CORONAVÍRUS • #CRISE • #GOVERNODOESTADO • #NINHOREIS • #PANDEMIA • #SALVADOR • #TEATROMIGUELSANTANA • #VAKINHA • #VAQUINHA • #VAVÁBOTELHO • #WALSONBOTELHO • #ZEBRINHA

0 comentário em “De mãos dadas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: