Destaques Fala, mestre!

Fala, mestre!

Jocélia Freire e Alisson George são dançarinos e professores de danças de salão que desenvolvem projetos pessoais e também atuam em conjunto. Eles compõe o grupo Dois em Um, que nesta terça-feira realiza mais uma edição do projeto Dois em Um Convida. A partir das 17h os artistas recebem, no canal do YouTube do grupo, Pedro França e Luisa Canda (da Academia Baiana de Dança de Salão) e Rianei Varjão (da RVDança), para tratar do tema O bolero pela ótica de Pedro, Luisa e Rianei. Confira, na entrevista abaixo, a expectativa os dois sobre o encontro de hoje com os também mestres da dança. Conheça mais sobre a trajetória de Alisson e Jocélia, na dança; e como fazer aula com eles, neste momento de pandemia (Claudia Pedreira)

Jocélia Freire e Alisson George: à frente do Dois em Um Convida, edição presencial

Claudia Pedreira – Como se interessou pela dança?

Jocélia Freire – Na verdade eu não consigo definir qual foi o momento em que eu me interessei pela dança, porque ela sempre fez parte da minha vida, então, desde criança, tudo que eu fazia tinha alguma relação com a dança. No lazer, com brincadeiras, ou participando de eventos na escola. 

Alisson George – Não sei de onde tirei a ideia, mas sempre dizia pra minha mãe que eu queria fazer dança de salão e ela procurou comigo até acharmos uma turma. No dia da primeira aula o professor não pode ir, mas teria uma aula de tango logo em seguida. Os professores Cidinha e Rubens me chamaram pra participar e, depois daí, nunca mais larguei. Comecei pelo tango e depois fui aprendendo outras danças a dois.

Lembra como definiu que seria um profissional da dança?

AG – Com 17 anos, um professor me incentivou a fazer a seleção para o curso técnico em dança da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) e foi lá, durante o curso, que fui descobrindo sobre a profissão e querendo cada vez mais.

JF – Eu já sabia que a dança era muito muito presente e forte nas minhas ações e vivências. Então, no período do vestibular, eu vi na pesquisa que existia faculdade de dança e eu queria muito isso. E no momento em que eu fui investigar as universidades eu vi que na Ufba existia a faculdade de dança. Para o meu primeiro vestibular eu já sabia que eu ia tentar dança. E foi o que eu fiz! Eu decidi desde o meu primeiro momento de pensar a profissão que eu iria tentar o vestibular pra dança, que eu queria isso pra minha vida, então, foi algo muito direcionado. 

Conte como e quando se deu sua escolha para atuar como professor

AG – No terceiro estágio do curso técnico, o estágio de “multiplicador”, foi o momento mais específico, me identifiquei com o “ser professor” e foi a partir daí que veio a vontade de iniciar a Licenciatura em Dança na Ufba.

JF – Minha formação é licenciatura, na qual a atuação principal é ser professor. Na dança um dos principais  campos de atuação é a sala de aula, desta forma, minha formação foi me direcionando para pensar as ações pedagógicas e as relações construídas nos ambientes de educação formal e não formal,  tanto na licenciatura em Dança como na licenciatura em Educação Física. Assim, fui descobrindo o prazer em ensinar e as possibilidades no mercado de trabalho foram surgindo cada vez mais. Hoje sou professora de escolas públicas e particulares, além das salas de aulas de danças de salão, e não consigo me ver em outro lugar.

Na sua visão, o que é necessário para ensinar dança a dois?

JF – Acredito que, em primeiro lugar, você tem que conhecer muito bem o campo que irá atuar, em diversos aspectos, e isso exige tempo de estudos e dedicação. Entender que as danças a dois são compostas por diversos estilos e concepções que a cercam. Desta forma, é preciso ter claro o caminho que você pretende construir enquanto profissional. O papel do professor e da professora é um papel que exige muita responsabilidade, nem todo bom dançarino será um bom professor, como nem todo bom professor será um bom dançarino.  Desta forma, acredito que buscar qualificação profissional é um passo indispensável.

AG – Conhecimento, respeito, atenção… São vários fatores! Ser professor (a) é ser referência para quem te segue e isso é muito valioso e deve ser bem usado. Acredito que para ser professor (a) é não pensar que existe apenas a sua verdade, mas sempre um modo de ver as coisas. É preciso estudar e se informar sobre o que acontece no mundo e mais especificamente ainda, no mundo da dança. E acredito também que a formação técnica e superior são fatores que acrescentam muito.

O que o aluno precisa para aprender?

AG – Vontade!!! Sabemos que as danças de salão não conseguem chegar para todos (as) por vários fatores sociais e econômicos, mas se você tem um corpo, você pode dançar! É compromisso de nós, promotores (as) de danças a dois, proporcionar a inserção de cada vez mais pessoas e principalmente as que estão na margem da sociedade, que tem vontade, mas não conseguem acessar.

JF – O que o aluno e a aluna precisam para aprender é vontade. Se o aluno e a aluna tem vontade de aprender, esse é o primeiro passo. E ter consciência do que ele e ela querem e podem oferecer para conquistar os seus objetivos. Porque, às vezes, o aluno e a aluna colocam a responsabilidade, apenas, em quem está ensinando, e quer um milagre do aprender a dançar como uma pessoa que ele/ela determina que é uma referência, sendo que, às vezes, essa referência é um ou uma profissional, e a gente entende que profissionais se dedicam muito aquilo que fazem. Então, os alunos e alunas precisam entender a sua realidade. E, diante desta realidade, o que é possível de ser conquistado. E, junto com o professor ou professora, desenvolver o melhor trabalho, dentro do que for oferecido de tempo e dedicação, para evoluir. Sendo que a evolução de cada pessoa acontece individualmente – e é necessário paciência consigo e com seu corpo.

Destaque ações realizadas como mestre que te trazem emoção e/ou a certeza de ter escolhido a profissão certa

AG – É muito satisfatório quando vejo as alunas e alunos reproduzindo o que é ensinado. Não somente os “passos”, mas todos os posicionamentos que a dança pode trazer. Por exemplo, fico muito feliz quando vejo uma aluna, mulher, convidando outra pessoa pra dançar, ou quando vejo uma aluna que é cega e não para de dançar porque sempre a convidam. Dá orgulho quando vejo que eles e elas se respeitam dentro de suas diferenças.

JF – O que me faz ter certeza que escolhi a profissão certa é a felicidade que eu sinto ao perceber a evolução de alguém dançando, ou perceber que um trabalho coreográfico teve resultado ao levar uma mensagem que emociona e faz o público refletir sobre aspectos que vão além dos passos da dança. Conversar com as alunas e os alunos e perceber na fala deles e delas um discurso crítico e questionador acerca das concepções e construções referentes às danças de salão, demonstrando que eles e elas entendem a importância de tratar, em aula, de assuntos que não estão relacionados apenas aos movimentos,  é grandioso.

O que aprendeu com a fase de isolamento social e como reflete esta evolução em seus projetos relacionados à dança? Como os alunos podem fazer aulas com você? (contatos)

JF – Aprendi o quanto é difícil, nesse isolamento, ministrar aulas de dança à distância. Mas também aprendi que nós precisamos estar sempre atentas e atentos, é algo que eu já entendia, mas ficou muito mais em evidência neste momento. Precisamos estar o tempo todo em transformação, buscando possibilidades e novos caminhos para repensar e ressignificar a forma de ensinar. Nunca tinha ministrado aulas online, estou tendo que reformular algumas coisas, estudando a todo instante quais objetos que temos em casa que podem colaborar nos estudos individuais para as danças a dois, e descobrindo muitas coisas úteis. Porém, com todas as adversidades que é estudar dança à distância, é um momento único para as alunas e alunos de danças de salão, acredito que estamos estudando muito mais o nosso corpo individualmente e que isso será um ganho muito importante para quando voltarmos a dançar em dupla, e acredito, também, que não deixaremos os estudos individuais secundarizados. 

AG – Criamos esta turma online nas quintas, das 19h às 20h30. Além das “lives” abertas no YouTube do grupo dois em um, tenho dado aulas online particulares e em grupo. Tem sido um período precioso de aprendizado. Tenho aprendido cada vez mais sobre as plataformas e outros aplicativos de suporte tecnológico, para aprimorar cada vez mais o trabalho e poder dar o melhor suporte possível para os alunos e alunas.

Comente sobre a concepção do projeto Dois em Um Convida: Você aceita?. Quando e como foi criado, trajetória e fase atual, durante a pandemia, com adaptações. Pelo olhar de professor, destaque a importância da ação.

AG e JF – A gente criou o evento com o intuito de acessibilizar a dança de salão para mais pessoas, para isso participamos da chamada pública Ocupe Seu Espaço da SECULT/BA, que nos ofereceu desconto na pauta do Teatro Xisto Bahia. Conseguimos fazer um evento onde era fácil chegar de ônibus, metrô, carro, bicicleta, andando… e com o valor acessível usando o formato “pague o quanto puder”, para que pudéssemos atingir a maior quantidade possível de pessoas com interesse nas danças de salão. Hoje, com a pandemia, nosso intuito continua sendo levar conteúdo de qualidade e de forma acessível para as pessoas que têm interesse. Infelizmente, por falta de financiamento, não pode ser tão acessível o quanto gostaríamos, tínhamos o intuito que colocar um (a) intérprete de libras, para as pessoas surdas que dançam e se interessam pelo assunto, mas, infelizmente, não conseguimos.

Pedro França e Luisa Canda chamam para a edição do projeto desta terça-feira

A próxima edição acontece nesta terça, com presença dos também professores Rianei Varjão e Pedro França e Luísa Canda. Comente a sua expectativa em torno do diálogo com estes convidados:

JF e AG – De um modo geral, fico muito contente com a aceitação dos profissionais pelo projeto que tem por intuito divulgar e ampliar a nossa dança, a dança de Salvador, da Bahia e do Brasil. Já tivemos grandes profissionais nas semanas anteriores e na semana que vem continuaremos tendo grandes nomes das danças a dois. Ao mesmo tempo, sentimos muito por não conseguir trazer mais grandes nomes para a “live” por várias questões logísticas de tempo, da plataforma e vários outros fatores. Mas é um espaço de todos nós e estamos esperando todo mundo com perguntas e outras contribuições nos comentários. Estamos abertos a ouvir dicas e sugestões de todos e todas.

Sobre os mestres

Alisson George é técnico em dança (Fundação Cultural do Estado da Bahia – Funceb) e Licenciando em Dança (Universidade Federal da Bahia – Ufba), diretor do Grupo Dois em Um e intérprete-criador do Coletivo Casa 4. Pesquisador e professor de danças de salão, atua na Escola de Dança da Funceb, estimulando espaços de debate e novas abordagens dentro das danças a dois. @alissongeorge 55 71 98114-8153

Jocélia Freire – Francisca Jocélia de O. Freire, Mestranda no Programa de Pós-Graduação Profissional em Dança PRODAN – Ufba (2019); especialista em Metodologia do Ensino e da Pesquisa em Educação Física (2011) pela Faculdade Social da Bahia – FSBA. Licenciada em Dança (2008) e em Educação Física (2017), ambas pela Ufba. Professora de dança de salão em Salvador-BA. Realiza estudos independentes acerca das danças a dois com o grupo Dois em Um. Professora efetiva de Artes no Ensino Fundamental II no município de Nazaré das Farinhas – BA. Professora do Ensino Médio no Colégio Módulo em salvador-BA. É pesquisadora membro do grupo de pesquisa Políticas e Processos Corporeográficos e Educacionais em Dança (Ufba). @jocelia.freire 55 71 99207-8837



2 comentários em “Fala, mestre!

  1. Luciene Andrade

    Cláudia Pedreira,excelente materia! Sempre bom estar com vocês nesta fase de isolamento social.Parabéns e sucesso a todos em especial aos meus mestres Jocelia Freire e Alissom George da escola de Dança da Funceb. Abraços

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