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Então, eu vivi

ENTÃO EU VIVI, QUANDO O AGORA CHEGOU.
Você já quis ver o futuro?
Quis que o tempo passasse depressa, esperando algo que ainda ia chegar?
Fica ansioso para que o dia amanheça logo, para realizar o que ainda está por vir?
Então: Senta que lá vem história!

Desde quando me lembro, vivo em busca diária de desafios emocionais, que me façam ferver diante da dádiva da vida! Para tanto, mantive sempre minha mente acelerada e meus pensamentos sempre além do momento.

Acreditei que, assim, realizaria todos os meus desejos, conseguiria sempre terminar o que comecei em tempo hábil, para assim estar pronto para o próximo momento de intensidade. Cobrando dos outros comportamentos iguais, me recusando a compreender como alguém conseguia viver com tamanha calma e tranquilidade, criando um mundo onde não tinha
espaço para o diferente, relacionado a capacidade de produção e de realização do outro! Fiquei cego para outros caminhos, visto que teria que ser “perfeito” para ser aceito, onde um erro meu era punido com veemência por uma consciência castrada e adestrada pelo ambiente que me cercava!

Tornei-me solitário – mesmo vivendo sempre cercado, rodeado de diferentes percepções de vida, de outros com pensamentos não similares -, e não tendo com quem dialogar, pois os como eu também disfarçam o conflito. Enquanto minha boca disparava discursos de correção, meu coração silenciava. O tempo se deslocou sem nem reparar nas minhas exigências de mais tempo, pois o que tinha era ínfimo para minhas futuras aventuras e realizações.

Estava sempre à frente do momento, sofrendo por algo que nem sei se iria se concretizar, e, assim, fui perdendo o presente, o agora, o único momento que realmente importa, o estar aqui enquanto o show da vida acontece.

Levei muitos anos dedicado a aperfeiçoar o que estava por vir, num ciclo vicioso de trabalhos e virtudes, sem aproveitar as vitórias, pois minhas derrotas eram mais importantes, já que as vitórias não eram mais que obrigação.

Ou era perfeito no que me propunha, ou me punia amargamente, ficando então preso aquele momento, num misto de viver o passado sofrido projetando um futuro perfeito, sem aceitar que eu era cheio de defeitos, que também errava e não era o dono da verdade absoluta.

Comecei a temer o futuro, acelerando mais pensamentos e ações, esgotando minha energia e luz com objetivo de saber o final da minha estrada, mesmo antes do início, perdendo completamente os ensinamentos e vivências que o caminho nos proporciona.

Pasmem, já se passaram cinquenta e tantos anos que iniciei essa jornada, e no passado que recentemente fui olhar, tinha um menino que se confundia com o presente, de tanto que se divertia com o momento, onde o único conflito era escolher se ia pela direita ou para a esquerda na encruzilhada das nossas possibilidades, e uma vez escolhida era percorrida sem
culpas ou punições do meu EGO, construindo o livro da minha história em vários capítulos!

Bom, nada acontece ao acaso, temos várias estradas para seguir. e aquela que você escolher pode te levar a lugares mágicos, bem como a abismos profundos, intimidadores.

Escolhi, no ano passado, um desses caminhos, o que permitia parar, o que permitia o erro, o pecado, o que permitia viagens e diversões, que me permitia ser frágil e de alguma forma precisar também do colo do outro, o que permitia o real, e não o que eu esperava, aceitando, assim, o meu ego, meu monstro interno que ainda insistia em me acompanhar, exterminando definitivamente minhas certezas absolutas.

Desloquei o meu corpo e a minha alma para o momento, que pode ser o meu último, de tantas diferenças e múltiplas crenças, portanto, devendo ser degustado lentamente, sentindo todo prazer ou dor que o mesmo possa oferecer.

Foi um caminho que me levou ao estado do Piauí, no nordeste árido, que se tornou muito mais intenso, longo e esclarecedor por ler o mesmo atento a cada centímetro percorrido, chegando já bastante modificado na pequena gigantesca cidade de Pimenteiras, ao encontro de uma família que não via há 23 anos, que me remetia a um passado de abrigo e proteção.

Com a convivência mais longa com eles, pude ver, sentir e compreender que é possível ser correto, mesmo cometendo falhas, ser perfeito, mesmo cheio de imperfeições, não concordar, discutir e se magoar, parando de ser o juiz pois nunca lhe coube julgar, mas sem nunca deixar de proteger, sem nunca deixar de amar.

Entender que não preciso ser outro para ser parte de um todo, que na hora de realizar, de trabalhar, dedique todo seu tempo, mas, na hora de parar, se delicie com o descanso e a convivência com quem amamos, sem esperar do outro perfeição ou igualdade comportamental, dividindo de tudo, desde deliciosas refeições, a conflitos nas relações, sem temer o julgamento ou crítica do outro, pois essas quando vem, são na busca de soluções, e
não de punições.

Aprendi, definitivamente, que não tenho que ser bom em tudo, que, sim, vou me esforçar para ser cada vez melhor comigo, para que assim possa ser melhor com o outro, mas que tenho que estar em primeiro lugar quando o assunto é ser feliz, que se conseguir, huhu, vai ser muito bom, mas em não ter conseguido, posso tranquilamente começar de novo, ou apenas entender que aquele erro era aprendizado e não ficar insistindo.

Que a vida se assemelha a andar de Skate, por exemplo, no qual, ao dar o primeiro embalo, não poderá frear bruscamente, sob pena do descontrole do agora, aceitar que não poderá mais voltar ao segundo anterior a esse movimento, e então, olhando o que está à frente de forma segura, contando com as experiências e aprendizados passados, mas completamente absorto no aqui, vai evitar por não perceber o caminho que esta trilhando, a queda certa, que se ocorrer, mesmo dolorida, vai virar passado!

Portanto, levante, assuma novamente o controle do momento, se deslocando ao futuro desconhecido e vitorioso vivenciando o caminho e não a chegada, onde a aceitação das diferenças, a multiplicidade de crenças, a não cobrança de perfeição, o aproveitamento do agora, sejam a regra, a libertação!

Se identificou com o relato? Que tal experimentar?
No insta @daltonvinhaes você encontrará vídeos e textos que, espero, sirvam de motivação, pois dividindo vivências é que mais tenho aprendido!

Em breve estaremos juntos, pois senta que lá vem história!

1 comentário em “Então, eu vivi

  1. Fernando e Dalila

    Lindo texto!
    Me identifiquei e me emocionei, principalmente no trecho do retorno às raízes.
    Abraços dos primos Fernando e Dalila

    Curtir

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