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A arte de contar histórias

Cada um de nós tem uma história para contar. Quem achar que não, basta uma xícara de café, um cantinho aconchegante e um bom papo para desenrolar algo tipo um novelo de lã. Os assuntos são os mais variados, as situações também. O que torna uma história interessante, na maioria das vezes, é aquele tema cercado por emoção. E não necessariamente finais felizes. Inclusive, é bom se cercar da companhia de lenços de papel caso uma lágrima escape em determinado momento da conversa.

Depois de percorrer uma jornada de duas décadas no Jornalismo, de escrever muitas matérias e atuar em diferentes áreas da comunicação, sendo uma das sócias da Frente & Verso, a jornalista Tatiany Carvalho se reencontrou na arte da entrevista, ao criar o projeto Histórias de Afeto. Ela nos conta, no pingue-pongue, os detalhes que a fizerem enveredar pelo caminho documental.

Agora Mexe – Você é autora do projeto Histórias de Afeto.  Qual a proposta deste trabalho?
Tatiany Carvalho – Eu sempre me interessei em revirar as histórias de família e conhecer os detalhes que, muitas vezes, não estavam ditos em lugar algum. Em muitas dessas conversas, com pessoas diferentes, tomei conhecimento de fatos marcantes que, simplesmente, poderiam ter sido perdidos com o tempo. Aí eu pensei: como fazer com que essas histórias saiam da gaveta e reverberem para outras pessoas? Assim surgiu meu interesse em registrar esses relatos em tom documental, por entender que as memórias são importantes para que cada um conheça melhor aquele outro que faz parte de sua vida.

Projeto Participação Política dos Jovens_Credito Luâ dos Santos

Tatiany no set das gravações do projeto Tamo Junt@, na condução das entrevistas. Crédito: Luã dos Santos

AM – O “Histórias de Afeto” só aborda acontecimentos passados?
TC – Não necessariamente. Quando se trata de assuntos de família, existe um leque de possíveis pautas para um registro documental,  desde as histórias dos mais velhos ao nascimento dos novos membros. Nesses casos, o que se quer é registrar experiências que marcaram a vida daquelas pessoas ou o legado que elas ajudaram a construir. Mas é possível, também, documentar fatos que mudaram aquelas famílias a partir de um determinado acontecimento ou decisão, como um nascimento, um filho adotivo, uma formatura.

A diretora roteirizou uma série de vídeos sobre o publicitário Fernando Alvarez

AM – Você também tem feito registros sob o viés profissional, como é o caso de Claudia Pedreira, editora-chefe do site Agora Mexe! (agoramexe.com).
TC – Esta é uma área que também tem uma riqueza de assuntos possíveis para um documentário. Claudia, por exemplo, tem uma caminhada no Jornalismo e também está se reinventando no campo da dança. O minidoc sobre o agoramexe.com tenta, justamente, mostrar o que a motivou a lançar o site, que está completando seu primeiro ano, informar melhor qual o objetivo do trabalho e a trajetória dela até aqui. Assim como Claudia, muita gente está neste processo de reinvenção e de novos desafios. Por que não compartilhar com o público as vitórias e percalços, que  também fazem parte da jornada de trabalho, e inspirar outras pessoas a perseverar em seus novos objetivos profissionais?

Vídeo em lançamento narra a trajetória da criadora do site agoramexe.com

AM – O que é um minidoc e por que você escolheu a linguagem audiovisual para o projeto?
TC – Um minidoc é um tipo de vídeo que tem como base o tom documental, ou seja, a partir de testemunhos de pessoas. Por isso, a entrevista é muito importante para o projeto. Antes, fazemos um roteiro, definimos os locais de gravação, os temas e pessoas que possam ajudar a contar aquela história ou defender aquele ponto de vista. Os vídeos são curtos porque a proposta é que eles sejam compartilhados e, quem sabe, possam ser divulgados nas mídias sociais – mas esta é uma decisão que compete ao contratante. Cada vídeo tem, em média, 5 minutos de duração. Mas precisamos de algumas horas de trabalho para chegarmos ao produto final.

Minidoc sobre a escritora Palmira Heine também é de autoria da jornalista Tatiany Carvalho

AMJá aconteceu de alguém ficar travado e não conseguir gravar por ter dificuldade em lidar com a câmera?
TC – Eu sempre procuro conversar com meus entrevistados e explico que, naquele momento, o que importa somos nós. A câmera é apenas um integrante da cena. E, se der um branco na hora da entrevista ou o entrevistado se perder no assunto, não tem problema. Começamos outra vez, gravamos e regravamos. Melhor perder o fio da meada do que perder a história completa.

AM – Quais os próximos desafios do Histórias de Afeto?
TC – Eu pretendo desenvolver uma série documental sobre um tema específico. Não posso adiantar porque ainda não fechei o assunto. Mas espero que possa ser emocionante e fazer as pessoas refletirem a partir de diferentes pontos de vista sobre a questão. Outro desafio é colocar o site do projeto no ar, para reunir todas as histórias que ajudei a contar.

Serviço:
Projeto Histórias de Afeto
Instagram e Facebook: @historiasdeafeto
E-mail: tatiany.carvalho@gmail.com

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