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Tem game na malhação!

Tecnologia e gameficação de aulas de ginástica. Bem, senta que lá vem história!

Lembro nos idos de 2004, quando iniciei no mundo das aulas de ginástica, a dificuldade de encontrar no mercado fitness cursos específicos de cada modalidade, como jump, spinning, step, dentre outras; seguíamos os grandes professores da época, tentando participar das aulas para aprender – diga-se de passagem, conhecimento empírico.

Eram poucas as academias em Salvador, e, dentre as poucas, três de grande porte, com extensa visibilidade na sociedade, e uma vez que conseguisse uma vaga de trabalho numa delas, era fazer o possível para não ser substituído.

Tive a sorte de poder iniciar meu estágio em uma delas, famosa por estarem, na sua carteira de clientes, artistas, repórteres, cantores de renome. O foco era a sala de musculação, mas, inquieto como sou, vi nas aulas de ginástica uma forma de aliar treinamento com meu lado artístico, cuidando e motivando mudanças de estilo de vida positivas, e ainda ser pago por isso.

Era um sonho, mas para virar realidade, levei dois anos seguidos, de domingo a domingo, sendo aluno nas aulas dos grandes professores que existiam ali. Cada dia um professor diferente nas aulas de spinning, cada um com características diferentes de ministrar os treinos, musicalidade, comando de voz, técnica, coração.

Dentre eles, o “cara” que trouxe a modalidade para Salvador, que já tinha feito cursos fora do Estado com o criador da modalidade, Jonny G.

De cada um “roubei” o que me encantava, e fui criando minha própria identidade. Nos sábados e domingos, além de estagiar na sala de musculação, passávamos a tarde toda em treino, criando passos no jump, sequências de movimentos nas bikes, falávamos sobre musicalidade, sobre intensidade, e sonhávamos.

CD s trazidos por professores, amigos ou alunos que iam para U.S.A ou Europa, me davam uma noção de como a coisa estava evoluindo, mas sempre de forma empírica e era praticando, que entendia o que poderia utilizar nas aulas, sempre visando a segurança aliada a emoção. Montes de Cds na mochila, com músicas remixadas super raras de serem encontradas, pois quem as conseguia, não compartilhava.

Ai realmente começou minha busca evolutiva, em termos tecnológicos, pois a necessidade é o pai e a mãe da evolução para quem realmente busca.

 Descobri em lojinhas do centro da cidade pequenos aparelhos de M.P.4 com incrível capacidade de armazenar até 300 músicas, era o futuro chegando.

 Investi dinheiro que não tinha, e passei a ir para as aulas não mais com os velhos Cds e sim, com aquele pequeno aparelhinho magico. Vi o efeito e a praticidade dos mesmos, e segui aperfeiçoando não só a montagem da aula, mas também na criação da mixagem.

 Em conversas com outros que buscavam evoluir, descobri um cara com um mixador, um grande “trambolho”, em que conseguíamos aumentar ou diminuir os bpms das músicas, e estendê-las, eram horas e horas de folga, revertidas nessas criações.

 Por conta disso, consegui um certo destaque entre os professores, e ainda como estagiário, comecei a ministrar aulas munido de tecnologia que poucos se interessavam em investir, estavam em suas zonas de conforto, pra que mudar?

Com o tempo, muitas outras academias foram abertas, as redes começaram a se formar, cursos começaram a aparecer, pesquisas cientificas vinham a confirmar ou destituir algumas práticas aplicadas nas aulas, e assim como eu, alguns entenderam que colocar praticamente todo salario em cursos e equipamentos como computadores para pesquisa e obtenção de software de música, vídeo, que permitissem a periodização dos trienos para futuras comparações da evolução do cliente, câmeras de vídeo para reprodução de vídeos motivacionais, criação com vídeos de ação sincronizadas com as músicas para transmissão durante as aulas em tvs e telões não era gasto, e sim, investimento.

E então a verdadeira revolução estava chegando:

 A tecnologia em forma de gameficação das aulas, programas de treinamento online, poder acompanhar alunos de personal por vídeo conferencia, relógios que podem detectar suas evoluções e sinalizar todo o seu treino, são os sinais para continuar na minha busca evolutiva.

A tecnologia ira desempregar muitos de nós?

Ledo engano, a tecnologia é muito bem vinda, e nos que lidamos com humanos, somos peça fundamental no estimulo e cuidado com o outro.

 Não existe maquina ou programa que supere um grande sorriso, uma potente voz de comando, um olhar de credibilidade e apoio ao praticante da aula.

Realmente a tecnologia tem obrigado os profissionais de Educação Física, a uma busca incessante de conhecimentos, pois realmente em breve, os que não se adequarem, serão ultrapassados. 

Vídeo Game pode ser perigoso por manter o praticante numa longa situação de sedentarismo, e os produtores dos mesmos perceberam esse problema, evoluindo na criação de games que atrelem o movimento humano as telas de computadores, tvs, telões.

Baseado nisso foram criadas bikes estáticas com painéis eletrônicos que informam sua velocidade, frequência cardíaca, gasto calórico, carga aplicada aos pedais, etc.

O próximo passo, foi interligar essas bikes a programas de treinamento, em que cada bike tem o seu avatar na tela, com terrenos variados, possibilidade de planejamento fisiológico do treinamento, como treinos de montanha ou força, velocidade ou race, intervalados, baseados em cadencia, etc.

 O sucesso foi tanto nos Studios de Bikeindoor, que os programas de gameficação como o @spivi estão agora a disposição também das modalidades mais antigas, como jump, boxe, onde seus resultados aparecem em telas a sua frente, em tempo real para que você conduza seu treino dentro do objetivo proposto, e ao final seus resultados são enviados para os seus email, servindo de parâmetro para sua evolução.

 Hoje carrego comigo toda a experiencia adquirida na pratica e com os estudos, e estou aliando esse conhecimento, ao que existe de mais tecnológico no mercado, os programas de gameficação das aulas de ginastica.

Estou agora no credenciamento nas melhores bikes do mundo, as @keiser, junto com o mais completo desses programas, o @sipvi , percebendo o quanto ainda tenho que evoluir como treinador, que o antigo pode ser aliado do atual, que experiencia atrelada a tecnologia pode, e esta, elevando o nível e a complexibilidade dessas aulas, cumprindo o objetivo principal das coletivas, que como diz o nome, é para todos, criando tribos de adeptos que se transformam tribos de amigos, proporcionando segurança, tecnicismo e ludicidade a quem se permite vivenciar essa experiencia! 

É, me diziam que as aulas coletivas iriam ser extintas, e hoje tenho a certeza, que quem será extinto, serão os profissionais que se recusaram a sair de suas zonas de conforto! 

@daltonvinhaes

Personal autônomo, pós-graduado em personal, especialista em bike indoor, jump, local e circuitos

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