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A força do axé

A professora de dança afro Tatiana Campelo associa doçura com energia nas aulas que ministra na Escola de Dança da Funceb, com percussão ao vivo

ÍconetextoCâmera Claudia Pedreira

 

Tatiana Campelo abraça com aquela doçura de quem é filha de Osun. Chama de nominhos carinhosos quem chega para seu Aulão Beneficente, na Escola de Dança da Funceb, sábado, 29 de setembro. Mas não é à toa que uma das frases que a professora mais aprecia é: “Sou água de cachoeira, ninguém pode me amarrar, piso firme na corrente que caminha pelo mar“. Mal começam a soar, devagarinho, os instrumentos percussivos do evento, ela já começa a atiçar a turma.

A mestra fala mansinho, depois grita sons de incentivo, canta como ancestrais vindos da África, se movimenta, com as tranças fazendo ondas no ar! É a força do axé, que contamina as levas de alunos que lotam a sala de aula.

Cerca de 70 pessoas compareceram e, antes de começarem a aula, tiraram anel, brinco, relógio, para ficar à vontade, pois, “dança é corpo”, como determina Tati. Lá estava um grupo de alunos vindos do Rio de Janeiro. Ali dançava Gabriela Mel Girassol, do Grupo Abayomi, de Simões Filho, que chegou com uma comitiva. Com a amiga Simone Portela, Gabriela enaltecia a professora: “Tati é uma amiga irmã”.

A cada sequência, Tati vai ao centro da sala e explica minuciosamente, à turma, o que será feito, com evolução dos dançarinos em filas horizontais que permitem a todos, por vez, ocuparem o amplo espaço. Tati exige sexta posição, contratempo, ponta, flexão, contração, expulsão, equilíbrio. “Tá tremendo por que”?, provoca um dançarino, ele há minutos na ponta e com os braços esticados, como numa cruz. O bom humor impera, mas não mais do que o respeito pela professora.

Babado – Tatiana Campelo enfatiza que quer uma série de movimentos com os alunos bem curvados para o chão (Terra). “A grande maioria dos movimentos da dança afro brasileiro é feita no plano médio. Façam meu babado direito!”, clama. Carol Candeias, 21, está acostumada. Faz aulas com a professora desde 2015. Adora. “Primeiro de tudo, a energia dela é sempre pra cima. É uma pessoa extremamente metódica, faz resgate da dança afro de raiz, mesmo”, analisa.

Já para Taís Mota, assistente administrativo de lojística, o rojão foi novidade. Ela não conhecia a dança afro, mas achou muito bonita, pois “mexe com o corpo, com a ligação com a ancestralidade, com a história”. De Lauro de Freitas, onde estuda danças (balé clássico, afro, dança contemporânea), Luís Fernando Mendes Motta, buscou a aula da mestra na Escola do Centro de Formação em Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia para enriquecer o currículo, já que pretende fazer audição para companhias de Salvador. A todos, Tatiana Campelo instigava da mesma forma: “Eu quero energia, bora!”

Percussão – Cajon, surdo, djembe, caixa. Com estes instrumentos, Evandro Júnior e Júnior Sisall marcaram o clima do Aulão Beneficente. “A aula dela é programada. Começa pelo aquecimento corporal, em ritmo de candomblé, depois vem o que ela chama de Milk-shake, mais movimentado, chegando ao suinguão, com a galera chegando mesmo na empolgação. Depois de uma aula fervendo, vem o ijexá”, narra Evandro.

Ele e Júnior também marcam as aulas ministradas por Tatiana nos Cursos Livres, noturnos, da instituição, às segundas, das 19h às 20h30. Tatiana Campelo, artista, orientadora, bailarina, coreógrafa, mobilizadora cultural e fundadora da @blackluxo, chama: “Arte é chegar invadindo espaços. Venham mesmo para a Escola de Dança da Funceb!”

Serviço:
Aula de Dança afro
Com: Tatiana Campelo
Onde: Escola de Dança da Funceb (Rua da Oração, 1, Pelourinho)
Quando: Segundas, das 19h às 20h30
Valor: R$60

 

 

 

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